
Mês de maio, mês consagrado às mães, mês consagrado a Santa Maria, Mãe de Deus (Lc 1,43), Mãe da Igreja (At 1,14), Mãe Intercessora - atenda aos problemas de seus filhos (Jo 2,1-12), Nossa Mãe (Jo 19,27 e Ap 12,17).
Inácio Larrañaga, no seu livro “O Silêncio de Maria”, assim questiona: “Quem era ela para a comunidade? Como a chamavam? Não seria pelo nome de Maria. Esse nome era tão comum... Maria de Cleófas, Maria de Tiago, Maria de Mágdala... Precisavam de um nome que especificasse melhor sua identidade pessoal. Qual seria esse nome? A resposta é evidente: era a Mãe de Jesus. É assim que o evangelho se expressa sempre. Ou, então, era simplesmente a Mãe, sem especificação adicional. Temos a impressão de que, desde o primeiro momento, Maria foi identificada e diferenciada por essa função e, possivelmente, por esse precioso nome. É o que parece deduzir-se da denominação que os quatro evangelistas dão a Maria, sempre que ela aparece em cena”.
Como afirma Santo Afonso Maria de Ligório: “Maria é verdadeiramente nossa Mãe, não carnal, mas espiritual, das nossas almas e da nossa salvação. (...) Mas, se Jesus é pai de nossas almas, Maria é a Mãe. Pois em nos dando Jesus, deu-nos ela a verdadeira vida. Em duas diferentes ocasiões tornou-se, portanto, Maria nossa Mãe espiritual, como ensinam os Santos Padres. Primeiramente, quando mereceu conceber no seu ventre virginal o Filho de Deus, conforme diz S. Alberto Magno. Pela segunda vez Maria nos gerou para a graça, quando no Calvário ofereceu ao Eterno Pai, por entre muitos sofrimentos, a vida de seu amado Filho pela nossa salvação. Porque ela cooperou com o seu amor para que os fiéis nascessem para a vida da graça, veio a ser Mãe espiritual de todos nós” (Glórias de Maria, p.45-47).
Maria nos foi dada por Cristo como Mãe, nos seus últimos momentos no alto da Cruz. É uma das suas sete últimas frases antes de morrer. “E depois, voltando-se para o discípulo, lhe disse: ‘Eis tua Mãe!’ " (Jo 19,2). Com tais palavras, disse S. Bernardino de Sena, Maria foi feita Mãe, não só de S. João, mas também de todos os homens, por causa do amor que teve para com eles. No parecer de Silveira, é este o motivo por que S. João, ao consignar a cena no seu Evangelho, escreve: Em seguida disse ao discípulo: Eis a tua Mãe! Note-se que Jesus Cristo não disse isto a João, mas ao discípulo. Fê-lo para significar que o Salvador nomeou Maria por Mãe Universal de todos aqueles que, sendo cristãos, têm o nome de seus discípulos.
Maria é nossa Mãe, não carnal, mas de amor. “Eu sou a Mãe do belo amor” (Eclo 24,24). Tão somente o amor que nos tem é que a faz ser nossa Mãe. É nosso exemplo maior de amor a Deus. “Mas quem jamais amou a Deus como Maria? Ela amou-o mais no primeiro instante da sua vida, do que o têm amado todos os anjos e santos em todo o decurso da sua existência”, nos afirma Santo Afonso.
Enfim, o seráfico S. Boaventura afirma, comentando o trecho: “Eles encontraram a criança com Maria, sua Mãe” (Mt 2,11), que ninguém achará jamais a Jesus senão com Maria e por meio de Maria. E conclui que em vão procura Jesus quem não procura achá-lo com sua Mãe. É o que confirma Ricardo de S. Lourenço, fazendo analogia ao trecho bíblico: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai o não atrair” (Jo 6,44), o mesmo no sentir do referido santo, diz Jesus de sua Mãe. Ninguém pode vir a mim, se minha Mãe o não atrair com suas preces.